quarta-feira, maio 09, 2007

Discussão sobre aborto é machista, diz ministro

O ministro da Saúde, José Temporão, disse na manhã dessa quarta-feira que a proibição do aborto no País tem um viés machista e que o tema é, antes de tudo, de saúde pública e não apenas "religiosa, ética, filosófica ou fundamentalista".
"Eu queria ouvir as mulheres. As manifestações são majoritariamente compostas por homens. Parece que infelizmente os homens não engravidam. Se engravidassem essa questão já estaria resolvida há muito tempo. As mulheres é que sofrem e se vêem sozinhas e as leis são feitas pelos homens", argumentou Temporão.
Para ele, a sociedade brasileira evoluiu bastante nos últimos anos e a discussão sobre aborto não pode mais ser considerada apenas do ponto de vista religioso ou ético e sim do prisma da saúde pública. "Eu tenho tentado há muito tempo tirar essa discussão da questão ética, religiosa, filosófica e do fundamentalismo e trazê-la para o campo real da dor, da morte e do sofrimento", comentou.
A polêmica sobre a liberação do aborto no País é antiga, mas reacendeu com a chegada do papa Bento XVI ao Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista às redes católicas de rádio e TV que é pessoalmente contra o aborto, mas que o governo tem que tratar o tema no âmbito da saúde pública. Esse tipo de abordagem vai contra os interesses da Igreja, que pretende manter a proibição para a prática no Brasil.
Segundo Temporão, um estudo norte-americano apontou que no Brasil são feitos cerca de 1,1 milhão de abortos clandestinos por ano. "Quem sofre mais são as mulheres pobres. As mulheres de classe média ou ricas podem recorrer à clínicas clandestinas com alguma segurança", salienta. Oficialmente, cerca de 160 mulheres morreram no País em 2006 decorrentes de complicações com abortos clandestinos.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou há alguns meses um projeto do senador, Gerson Camata (PMDB-ES), autorizando a realização de um plebiscito no País para decidir sobre a liberação do aborto. Porém, o texto ainda não foi para o plenário.

Nenhum comentário: